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Tecnologia de drones e painéis fotovoltaicos

Tecnologia de drones e painéis fotovoltaicos: a inspeção térmica das centrais solares influencia diretamente o desempenho e a eficiência dos painéis.

Atualizado a 30 de outubro de 20268 min de leitura

Inspeção de painéis fotovoltaicos com drones

A inspeção com drones permite a uma equipa de campo analisar os módulos FV a partir do ar, com imagens visíveis e térmicas. Em vez de verificar cada módulo individualmente a partir do solo no início do processo, a equipa pode sobrevoar filas ou blocos e identificar locais específicos que exigem um exame mais detalhado.

Esta abordagem é particularmente útil em grandes centrais instaladas no solo, onde a geometria repetida dos módulos torna prática a triagem aérea. Os dados de localização podem associar uma imagem a uma fila, string ou zona de módulos, para que os técnicos regressem ao local correto para verificação.

O objetivo da inspeção deve ser definido antes do voo. Um levantamento de danos visíveis pode exigir definições de câmara e uma geometria de voo diferentes das de uma inspeção destinada a resolver características térmicas ao nível da célula. Não se deve presumir que um único percurso satisfaz todas as finalidades de inspeção.

Os dados do drone são evidência sobre o estado da superfície e o comportamento térmico. Não medem diretamente todas as propriedades elétricas do módulo ou da string, pelo que o fluxo de trabalho de inspeção deve definir que constatações exigem seguimento elétrico.

Tecnologia de drones e painéis fotovoltaicos

Danos visíveis e condições da superfície

As imagens visíveis podem revelar condições difíceis de avaliar de forma consistente com os dados de monitorização ao nível da central. Quando a resolução da imagem é suficiente, podem ser documentados a partir do ar vidro partido ou fissurado, módulos deslocados, molduras danificadas, sujidade intensa, invasão de vegetação, objetos estranhos e algumas formas de dano mecânico.

A sujidade também pode ser observada, embora o aspeto visível, por si só, não determine o impacto elétrico. Pó, dejetos de aves, resíduos agrícolas, pólen ou outro material podem cobrir parte da superfície do módulo. A consequência depende da distribuição, da gravidade, da disposição dos módulos, da irradiância e das condições de funcionamento.

A vegetação pode criar problemas de acesso e de sombreamento. O crescimento entre filas pode obstruir os caminhos de manutenção, enquanto a vegetação que atinge a altura dos módulos pode sombrear células ou partes de módulos. As imagens aéreas ajudam a mostrar onde a condição ocorre, mas o efeito na produção elétrica deve ser avaliado com evidência de funcionamento adequada.

O sombreamento causado por árvores, estruturas, filas adjacentes, equipamento ou objetos temporários também pode ser visível. O momento do voo é importante, porque uma sombra presente de manhã pode não existir mais tarde ao longo do dia. Uma única imagem não deve, por isso, ser tratada como um estudo completo de sombreamento anual.

As constatações mecânicas devem ser descritas diretamente. Se as imagens mostrarem um módulo deslocado ou vidro partido, o relatório pode registar essa observação sem presumir o estado elétrico do componente afetado.

Constatações térmicas em módulos e strings

As imagens térmicas podem mostrar diferenças de temperatura entre células, módulos, strings, conectores e outros componentes em funcionamento. Uma célula ou um grupo de células quente e localizado pode indicar comportamento anormal, enquanto padrões mais amplos podem estar associados ao funcionamento de díodos de derivação, a sombreamento, ao estado do circuito ou a outros efeitos.

O aquecimento de ligações também pode surgir nos dados térmicos. Uma resistência acrescida em conectores, terminais, porta-fusíveis ou juntas de cabo pode produzir calor localizado em carga. Esse padrão pode justificar uma inspeção dirigida no solo e uma verificação elétrica.

Podem ser visíveis diferenças ao nível da string quando uma secção elétrica funciona de modo diferente das secções vizinhas comparáveis. No entanto, a imagem não explica automaticamente o motivo. Um padrão de string fria ou quente pode estar relacionado com o estado de funcionamento, uma desconexão, sombreamento, a geometria de medição ou outra condição.

Etiquetas de produto como “hotspot”, “problema de díodo” ou “string aberta” não devem ser tratadas como prova da causa raiz apenas porque o software atribui uma categoria. A observação térmica deve ser preservada separadamente da conclusão de diagnóstico.

Uma imagem térmica de aspeto normal também tem limites. Algumas avarias podem não criar contraste de temperatura superficial suficiente para serem detetadas durante o voo, em particular se a irradiância, o vento, a carga ou o momento forem inadequados.

Causas de dano e degradação dos módulos

Os módulos FV funcionam ao ar livre e podem ser afetados por esforços ambientais, mecânicos e elétricos. Granizo, impacto de detritos, carga de vento, danos de instalação, movimento estrutural, sujidade, animais, humidade e ciclos repetidos de temperatura podem alterar o estado do módulo ao longo do tempo.

As condições elétricas também podem criar ou revelar problemas localizados. Danos nas células, falhas de interligação, comportamento associado aos díodos de derivação, resistência nos conectores, sombreamento ou desajuste podem influenciar os padrões de temperatura ou as medições das strings. O efeito específico depende da construção do módulo e da configuração do circuito.

Nem toda a degradação é visível a partir do ar. Alguns defeitos ocorrem no interior do laminado, dos condutores, dos conectores ou do sistema de isolamento e podem exigir medição elétrica ou outra técnica de inspeção. Um módulo de aspeto intacto não deve ser considerado automaticamente em bom estado elétrico.

O inverso também é verdade. Uma condição visível na superfície nem sempre implica um defeito elétrico grave. Sujidade, pequenas marcas estéticas ou reflexos podem parecer significativos nas imagens, tendo pouca relevância para a questão elétrica em investigação.

A decisão de manutenção deve, por isso, seguir o tipo de evidência recolhida. Danos visíveis, comportamento térmico, dados de corrente e tensão, medições de isolamento e informação de monitorização podem contribuir, cada um, com uma parte diferente da avaliação.

Termografia aérea: condições e comparabilidade

A termografia aérea depende de condições ambientais e de funcionamento adequadas. A IEC 62446-3 aborda a inspeção termográfica exterior de sistemas FV em funcionamento, incluindo o equipamento de inspeção, as condições ambientais, o procedimento, a competência do pessoal e a elaboração de relatórios.

A irradiância influencia a carga elétrica e o contraste térmico que pode surgir entre zonas normais e anormais. O movimento rápido das nuvens pode alterar a irradiância durante um voo, tornando difícil comparar diretamente módulos captados em momentos diferentes.

O vento pode arrefecer as superfícies dos módulos e reduzir ou alterar as diferenças de temperatura. A temperatura do módulo também fornece contexto para a interpretação, mas a IEC 62446-3 não impõe um intervalo único de temperatura do módulo aceitável para todas as centrais.

O ângulo de observação e os reflexos são igualmente importantes. O vidro do módulo pode refletir o céu, objetos circundantes, o terreno ou a própria aeronave, criando regiões aparentemente quentes ou frias que não têm origem no módulo. Um padrão suspeito deve, por isso, ser revisto quanto a efeitos geométricos e refletivos.

A comparabilidade também depende da resolução. A altura de voo, as características da câmara, a velocidade, a focagem e a geometria de observação determinam se a característica procurada é representada com detalhe de imagem suficiente para sustentar a interpretação.

Os levantamentos repetidos são mais úteis quando estas condições e os parâmetros de voo são registados. Imagens obtidas com meses de intervalo não podem ser tratadas como equivalentes apenas por terem sido captadas sobre a mesma fila.

Dos dados de inspeção à decisão de manutenção

O primeiro passo após a análise das imagens é identificar a localização física da constatação. Uma observação térmica ou visível tem pouco valor prático se a equipa no terreno não conseguir determinar qual o módulo, conector, fila ou string que requer atenção.

O passo seguinte é classificar o que realmente se sabe. Vidro partido visível numa imagem é evidência visual direta. Uma célula quente localizada é uma observação térmica que pode exigir evidência adicional antes de se atribuir a causa elétrica subjacente.

As equipas de manutenção podem então escolher um método de verificação adequado. Medições de corrente ou de tensão podem ser úteis para o comportamento ao nível da string, ensaios de isolamento para suspeitas de fugas, ensaios de polaridade para a orientação dos condutores e inspeção física para conectores, fixações ou superfícies de módulos danificados.

Os dados de monitorização podem fornecer outra comparação. Se a mesma zona elétrica apresentar um desvio de produção e uma anomalia térmica, a combinação pode reforçar o motivo do seguimento. Ainda assim, não elimina a necessidade de determinar o mecanismo real de falha antes de se decidir a reparação.

O registo final deve incluir a observação, a localização, as condições de aquisição e qualquer resultado do seguimento. Isto cria uma cadeia rastreável desde a imagem até à ação de manutenção, em vez de tratar a própria imagem como um diagnóstico concluído.

Limites

As imagens visíveis e térmicas não podem provar o estado elétrico completo de um módulo ou de uma string FV. Um drone pode mostrar danos superficiais e padrões de temperatura, mas não consegue estabelecer diretamente a resistência de isolamento, a continuidade dos condutores, a polaridade, a corrente de curto-circuito ou qualquer outra propriedade elétrica sem uma medição separada.

As constatações térmicas também não estabelecem, por si só, a causa raiz. Uma região quente pode estar associada a várias condições elétricas ou físicas, e algumas avarias podem não produzir uma assinatura térmica detetável durante a inspeção.

Um único voo não é monitorização contínua. A central pode vir a desenvolver uma avaria mais tarde, uma condição intermitente pode estar ausente durante o levantamento, ou as condições ambientais podem impedir que um defeito se torne visível termicamente.

O software pode organizar imagens, localizar constatações e apoiar a elaboração de relatórios, mas não substitui os ensaios elétricos nem uma interpretação competente.

A inspeção com drones é, assim, mais bem utilizada para identificar onde é necessário trabalho adicional. A avaliação final do estado pode exigir medições elétricas, confirmação visual ao nível do solo, histórico de manutenção, dados de monitorização ou outra evidência específica da central.